Aborto
Um dia antes Ana acorda enjoada, a suspeita é comprovada, no dia seguinte é deixada... deixada a mercê da sociedade, deixada a mercê pela própria família e por aquele que dizia que a amava.
O desespero toma conta, não sabe o que fazer. Qual decisão deve ser tomada; ter e ficar com a criança.
- Mãe solteira é puta, burra, I-R-R-E-S-P-O-N-S-Á-V-E-L - dizem os familiares.
Ter a criança porém deixá-la para adoção;
- Mas você não tem amor no coração!!? Deixar a criança crescer sem mãe? Antes não tivesse engravidado, louca - gritam os vizinhos.
Abortar a criança;
- Pecadora, puta, assassina, criminosa, irresponsável!!! Você não tem o direito de fazer isso! Na hora de fazer é bom, mas na hora de cuidar... - berra a sociedade.
Completamente sem rumo, perdida, sem apoio e muito menos estrutura psicológica, física ou social... Ana aborta, sozinha, no banheiro, e como o feto, suas esperanças são abortadas, e assim junto a ex futura criança, sem vida fica Ana.
Como a tantas Anas, Marianas... Ela se encontra limitada pela sociedade, sem suporte, sem poder sobre suas escolhas, suas próprias decisões, limitada do próprio corpo.
Hostilizada e morta.
